Anjos das Ruas
Nos últimos dias, estive lendo o livro Capitães da Areia, de Jorge Amado. A leitura do livro me chamou muito a atenção, pois retrata, com muita realidade, a vida de meninos de rua como atrevidos, malandros, espertos, famintos, ladrões, agressivos, falsos, soltos de língua, mas acima de tudo, carentes de afeto, de instrução, e principalmente, de comida. Os Capitães da Areia eram um grupo de meninos que viviam do furto; não por escolha própria, mas sim, por falta de opção. A história desses menores abandonados se passa nos anos 1930, na cidade de Salvador. Veja um trecho do livro:
“Sob a lua, num velho trapiche abandonado onde eles se abrigam, as crianças dormem. Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragorosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de lua. Desta ponte saíram inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes e pintados de estranhas cores, para a aventura das travessias marítimas. Aqui vinham encher os porões e atracavam nesta ponte de tábuas, hoje comidas. Antigamente diante do trapiche se estendia o mistério do mar-oceano, as noites diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é a cor do mar à noite. Hoje a noite é alva em frente ao trapiche. É que na sua frente se estende agora o Areal” (…)
A partir daí resolvi procurar saber um pouco mais sobre o abandono de menores, e me surpreendi com os números: o Brasil possui cerca de 8 milhões de crianças abandonadas, e destas, cerca de 2 milhões vivem nas ruas em meio a drogas, prostituição e furto.
É uma lástima, mas em meio a isso, a sociedade só sabe julgar; fazendo com que essas crianças fiquem “predestinadas” a um futuro sem expectativas. Muito se julga, mas nada é feito; enquanto TODOS não tiverem as mesmas chances de crescimento e formação, essa situação não será alterada: ainda haverão muitas crianças se tornando bandidos, que gerarão mais e mais bandidos.
Veja a letra da música
Anjos das Ruas do Rosa de Saron:
Andando pelas ruas
Eu vejo algo mais do que arranha-céus
É a fome e a miséria
Dos verdadeiros filhos de Deus
Vejo almas presas chorando em meio a dor
Dor de espírito clamando por amor
Anjos das ruas
Anjos que não podem voar
Pra fugir do abandono
E um futuro poder encontrar
Anjos das ruas
Anjos que não podem sonhar
Pois a calçada é um berço
Onde não sabem se vão acordar
Às vezes se esquece que são seres humanos
Com um coração sedento pra amar
Vendendo seus corpos por poucos trocados
Sem medo da morte o relento é seu lar
Choros, rangidos, almas pra salvar!
Anjos das Ruas
ANJOS DAS RUAS
"ONDE NÃO SABEM SE VÃO ACORDAR"